Valuation por fluxo de caixa descontado: vantagens e limitações

Metodologia valiosa para investidores e empresários na hora de calcular o valor de uma empresa, o FCD é de longe a mais utilizada por profissionais do mercado
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Saber o valor real de uma empresa ainda é dúvida para grande parte de empreendedores do ecossistema de startups, embora essa resposta seja fundamental para o sucesso de negociações, especialmente em um mercado com fusões e aquisições cada vez mais comuns. Isso porque, atribuir um valor acima do mercado pode resultar em desinteresse pelo negócio. Por outro lado, se o preço for inferior, o empresário pode perder dinheiro. 

Na prática, existem diferentes formas de cálculo para o chamado valuation, mas escolher o Fluxo de Caixa Descontado (FCD) pode ser a melhor opção, como afirma Leonardo Machado, fundador da empresa Startuphero, consultoria focada em processos de fusões, aquisições e entrada de investidores em startups.

“O FCD é o método de cálculo de valuation mais conhecido e mais utilizado no mercado. Em comparação com outros métodos, é bastante preciso”, afirma Leonardo, que explica a técnica:

“O FCD consiste em  analisar o fluxo de caixa da empresa, observando fatores como receitas, despesas e custos. É preciso também estabelecer a taxa de desconto, que representa o custo de oportunidade do investidor. Depois, soma-se todos os fluxos de caixa, subtraídas as taxas de desconto. O valor encontrado é o valuation da empresa”, resume.

Leonardo Machado, fundador da StartupHero, empresa especializada em valuation, venture capital, fusões e aquisições

No entanto, ao falar de valuation, é preciso fazer algumas ressalvas. Primeiro, o valor atribuído ao negócio é feito com base em estimativas. Por isso, na realidade, os resultados podem ser diferentes do que os cálculos previam. Os resultados podem ainda variar conforme o método e os números usados. E há, ainda, fatores subjetivos envolvidos. Portanto, ele alerta que é preciso ter em mente que o valuation não é uma ciência exata.

Para simplificar a avaliação por FCD, o especialista conta que o processo pode ser feito em cinco etapas:

1º passo: Entender o conceito de Fluxo de Caixa Descontado

Leonardo afirma que, para compreender o conceito dessa metodologia financeira, você primeiro precisa entender que o maior valor de uma empresa está no seu desempenho futuro, e não no seu passado ou no presente. “Mais precisamente, o valor de uma empresa está em quanto ela vai conseguir gerar de caixa ao longo dos anos, ou seja, o quanto os sócios da empresa vão colocar no bolso de lucro”, diz.

Então o Fluxo de Caixa Descontado nada mais é do que projetar os “lucros livres” futuros da empresa para os próximos anos, 1, 3, 5, 10 anos…Só que os lucros projetados para uma empresa realizar daqui a 10 anos não podem ser levado totalmente em consideração. “Afinal de contas, existem muitos riscos envolvidos: se a empresa quebrar, surgirem novos concorrentes, mudarem os fornecedores, ou mesmo se a empresa não atingir o lucro previsto”, diz.

Então o que o Fluxo de Caixa Descontado faz para tornar esse cálculo do valor da empresa mais equilibrado, é descontar esses valores de lucros projetados no futuro por uma taxa de desconto, como se fosse uma taxa de juros. Resumindo: projeta a geração de caixa futura da empresa para os próximos anos e desconta esses valores por meio de uma taxa de desconto, e esse é o valuation, ou seja, o valor de mercado justo de uma empresa.

2º passo: projetar o resultado financeiro da empresa para os próximos anos

Em um exercício de futurologia, como ele mesmo diz, Leonardo explica que esse é o momento em que se tenta prever qual vai ser a receita, os custos, despesas e lucro líquido, que são resultados financeiros importantes para calcular a geração de caixa futura da empresa.

Segundo ele, existem duas formas nesse processo: uma simples e rápida, e outra mais complexa, porém mais precisa. “Para calcular a geração de caixa de forma simples e rápida, basta você estimar qual vai ser a receita e lucro líquido da empresa para os próximos anos. Recomendamos que se faça uma projeção entre 3 a 7 anos, pois mais do que isso começa a ficar muito longe para realizar previsões”, diz.

Nesse ponto, ele explica que é preciso olhar para o passado da empresa, para , para estimar quais vão ser as receitas e perspectivas futuras. Perguntas importantes a serem feitas, segundo ele, é saber se a empresa cresceu muito nos últimos anos ou se manteve estável? Se o mercado está em crescimento, declínio ou estabilidade? Ou como é a mentalidade dos sócios da empresa com relação a crescer ainda mais a empresa?

“Todos esses fatores podem impactar a projeção de receita que você imagina que a empresa possa ter nos próximos anos. Use o bom senso e faça uma projeção de receita bruta e lucro realísticos.

3º passo: Calcular a taxa de desconto

Fase importante do processo, o cálculo da taxa de desconto é usada, segundo Leonardo, como o custo de oportunidade do investidor, como se fosse uma taxa de juros, que vai ser utilizada para descontar a geração de caixa futuro que você acabou de estimar. Mais precisamente, a taxa de desconto é a taxa mínima de retorno anual esperado pelos donos e investidores do negócio.

“Nada mais é do que o custo de oportunidade dos sócios da empresa: quanto mais arriscado for o negócio, maior vai ser a taxa de desconto, e quanto menos arriscado for o negócio, menor será a taxa de desconto”, diz.

4º passo: calcular o valor da perpetuidade

O cálculo da perpetuidade é um valor que irá representar o intervalo entre o último ano da projeção e o infinito, fazendo uma aproximação.

“A primeira variável que precisa ser estimada é o crescimento anual da geração de fluxos de caixa que a empresa vai ter na perpetuidade. Ou seja, quanto ela vai crescer em termos de geração de caixas livres ano após ano, nos anos que sucedem a projeção feita anteriormente”, afirma.

Ao falar de um intervalo infinito, por mais que seja uma empresa com ampla capacidade de crescimento, é preciso estipular um valor baixo e o ideal é que seja abaixo do crescimento real do PIB do país idealmente. 

De posse da projeção de fluxos de caixas livres, taxa de desconto e valor da perpetuidade, já é possível partir para o cálculo de valor de mercado da empresa através do Fluxo de Caixa Descontado.

5º passo: Aplicar a taxa de desconto em toda a geração de caixa futuro da empresa

O desafio desse passo, segundo o especialista, é aplicar a taxa de desconto nos fluxos de caixas livres, trazer esses valores para o presente e somá-los. E quanto maior for o período que está sendo analisado, maior vai ser o desconto, pois os valores vão estar mais distantes na linha do tempo.

Ou seja, a tendência é que os valores projetados para lucro futuro tenham um peso cada vez menor no cálculo do seu valuation, visto que são mais incertos e difíceis de prever, com exceção do cálculo da perpetuidade.

Por que calcular o valuation?

Dados do Distrito mostram que o mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil está em constante crescimento, com 2021 batendo recordes. Segundo a plataforma, foram 247 transações do tipo M&A, um número quase 50% maior que a do ano anterior, quando foram registradas 170 operações do tipo. 

Como explicação para esse crescimento, um dos fatores é o de que “2021 foi o ano da recuperação econômica pós pandemia, uma vez que empresas se mostraram dispostas a encarar os riscos de efetuar uma aquisição, e também de que startups estavam exibindo maturidade suficiente para chamar a atenção de investidores corporativos”, conforme . 

Com forte tendência de continuidade em 2022, o processo de fusões e aquisições requer avaliação cada vez mais precisa acerca dos valuations de empresas, para manutenção de operações saudáveis. Além desse motivo, Leonardo Machado lista outras situações que exigem precisão nesse cálculo. 

“É preciso realizar o valuation de uma empresa para uma situação importante como venda, entrada ou saída de sócios, aporte de investidores ou até inventário ou comunhão de bens”, diz. 

Limitações do Fluxo de Caixa Descontado

E, apesar de toda a aceitação que o método do Fluxo de Caixa Descontado tem no mercado, o especialista alerta que não há uma fórmula perfeita. “O valuation nada mais é do que uma opinião. Você pode colocar 10 mil analistas diferentes para avaliarem a mesma empresa, e você vai ter 10 mil valuations diferentes”.

Segundo ele, isso acontece porque qualquer diferença nas projeções financeiras, premissas utilizadas no cálculo da taxa de desconto ou crescimento na perpetuidade, podem afetar o valor final da empresa.

“O cálculo vai te ajudar a trazer o valor mais justo e próximo da realidade da sua empresa, assim como diminuir eventuais conflitos que possam acontecer. Mas ele está sempre suscetível a variações de receitas, despesas, mudanças no cenário econômico, entre outros fatores”, conclui.

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