Uma das grandes dúvidas enfrentadas por empresários, principalmente os de primeira viagem, é sobre a possibilidade de usar dinheiro da empresa para pagar contas pessoais. A resposta é simples: definitivamente não. Entenda agora porque é importante não destinar verba da empresa para arcar com responsabilidades de ordem pessoal.

Se a empresa está dando lucro, qual o problema de retirar um dinheirinho para pagar umas contas do empresário? A resposta está no equilíbrio financeiro da empresa, que resulta do comprometimento do empresário em não desviar fundos e recursos provenientes da empresa.

Diferença entre contas pessoais e contas da empresa

No Brasil e no mundo, as empresas são dotadas de personalidade jurídica e possuem patrimônio próprio. Isso significa que a empresa é, em uma primeira análise, a única responsável pelo adimplemento das obrigações que contrair.

Essa separação entre o patrimônio da empresa e do empresário tem dupla função. Uma delas é transmitir mais confiança no mercado, já que a empresa possui um fundo de capital integralizado para pagar suas próprias contas. Ao mesmo tempo, existe uma vantagem para os donos da empresa, que não precisam desembolsar dinheiro do próprio bolso para assuntos empresariais.

Patrimônio pessoal e patrimônio da empresa são completamente distintos. Para que as atividades empresariais ocorram da melhor maneira possível, é fundamental que tal distinção permaneça sempre clara. Usar dinheiro da empresa para pagar contas pessoais, além de ser errado, viola as regras que regem o mundo dos negócios.

Pró-labore: o salário do empresário

Se não é possível pagar contas pessoais com o dinheiro da empresa, como o empresário pode aproveitar o lucro do empreendimento? A resposta está no pró-labore, conhecido como o salário devido ao empresário pela sua atuação no mercado. Trata-se de um valor retirado mensalmente ou semestralmente.

Apesar de não se confundir com o salário convencional, pago aos empregados da iniciativa pública ou privada, o pró-labore é bem parecido em alguns aspectos. Não existem regras fixas para determinar o seu valor, devendo ser calculado com base no lucro obtido pela empresa.

Pense no pró-labore como uma remuneração mensal devida ao empresário administrador, pelos serviços prestados. A grande vantagem de estabelecer esse “salário” é o controle financeiro. Depois de definido, o empresário só poderá retirar do caixa empresarial aquele valor.

Como evitar o pagamento de contas pessoais com o dinheiro da empresa

Existem várias formas de manter a saúde da empresa. A maioria delas envolve disciplina e bom senso por parte do empreendedor, que deve ter em mente o sucesso do negócio. Fazer confusão entre o pessoal e o profissional é uma marca de empreendedores inaptos para atuar no mercado.

Vejamos algumas formas simples para não usar dinheiro da empresa para pagar contas pessoais:

Manter contas separadas

O primeiro passo para separar de vez as contas pessoais das contas da empresa é mantendo contas específicas para cada área. Mesmo se o seu empreendimento for pequeno e com pouca entrada de capital, vale a pena manter uma conta corrente exclusiva.

Existem várias opções de contas correntes oferecidas por bancos, com taxas de manutenção acessíveis. Para economizar ainda mais e ainda aproveitar benefícios, o empresário ainda tem a sua disposição a Conta Simples, isenta de taxa de manutenção e que ainda oferece um cartão de crédito pré-pago gratuito.

Estabelecer regras para o pró-labore

Se você, como empreendedor, precisa retirar capital do caixa da empresa, deve fazê-lo somente dentro do estabelecido de forma prévia a título de pró-labore. Acontece que muitos empresários fazem retiradas com base em suas necessidades pessoais. E isso pode ser fatal para a saúde financeira do empreendimento.

Se o valor foi definido de forma fixa, a retirada deve ser fixa e nas datas estabelecidas (mensal ou semestralmente). Se o lucro da empresa é muito relativo, variando com frequência, é possível definir uma porcentagem de retirada sobre o lucro obtido no período.

Conhecer de administração e gestão financeira

Nem todo empresário conhece a fundo as regras básicas sobre administração e gestão financeira. A boa notícia é que o conhecimento necessário para levar o negócio ao topo está acessível e pode ser adquirido por qualquer interessado. Além dos vários cursos pagos existentes no mercado, existem opções inteiramente gratuitas.

São cursos online que ensinam aos empreendedores como gerenciar da melhor maneira o seu negócio. O SEBRAE, por exemplo, é uma instituição de relevo nesse cenário, oferecendo vários treinamentos, dicas e até mesmo consultoria personalizada para pequenos empreendedores.

Manter controle sobre o fluxo de caixa

Um dos erros cometidos por empreendedores em começo de carreira é pensar que manter registros de entrada e saída é algo dispensável. Apesar da legislação brasileira não obrigar os microempreendedores a manter livros contábeis, a sugestão dos especialistas é que todos possuam esse tipo de registro.

Ele pode ser digital, através de planilhas específicas, ou analógico, por meio de anotações em cadernos e livros. Esse tipo de registro evita a perca do controle sobre o dinheiro que é da empresa, além de permitir ao empresário conhecer o seu negócio em termos de lucratividade.

Para que a saúde da empresa permaneça intacta, o caixa deve apresentar sempre mais entrada do que saída. E se algo for retirado para o pagamento de contas pessoais com dinheiro da empresa, esse valor deve ser imediatamente devolvido ao caixa, antes que os problemas apareçam.

Conclusão

A separação entre contas pessoais e contas empresariais deve ser um objetivo do empreendedor. Qualquer negócio, para que seja bem-sucedido, deve ser realizado com planejamento, seriedade e comprometimento. Trata-se de um fundamento básico, que deve ser seguido à risca.

Assim que começa a atuar no mercado, a empresa começa a contrair obrigações que devem ser cumpridas. E por isso, manter o capital da empresa integralizado, sem desvios, é fundamental. A saúde financeira do negócio deve vir sempre na frente, mesmo diante das necessidades pessoais.

Com o avanço do negócio e, consequentemente, com o aumento do lucro obtido, o empresário poderá aumentar o volume e frequência de retiradas. Mas, independentemente do estágio em que o negócio se encontrar, pagar contas pessoais com o dinheiro da empresa não é uma boa ideia.

 

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