Mercado de marketplaces B2B e setor de cripto prometem em 2022

Startups focadas em climatech e ESG, além de healthtechs e agritechs, integram segmentos de destaque indicados por diretora de Comunidade da Valor Capital
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Em um ano de boas apostas em venture capital para a América Latina e para o Brasil, os setores de crypto e o mercado de marketplaces B2B estão entre os que vão se destacar no ecossistema de startups brasileiro. Essa é a previsão da vice-presidente e diretora de Comunidade do Valor Capital Group, Maria Carolina Lacombe, que traça um cenário positivo de investimento para segmentos de startups ao longo do ano. 

“Estamos muito animados com o setor de cripto, que vem crescendo. O ecossistema ainda está em fase inicial de desenvolvimento, mas já é possível identificar oportunidades muito interessantes, tanto em players mais puros de cripto, como em interseções com outros mercados, a exemplo do caso de gaming (jogos que utilizam a tecnologia do Bitcoin e das criptomoedas),”afirma Maria Carolina.

A especialista lista ainda outros setores:

“Também vemos outras tendências em 2022, como a emergência de startups focadas em climatech e ESG (meio ambiente, responsabilidade social e governança), novos B2B marketplaces (plataformas de e-commerce que reúnem vários lojistas em um mesmo ambiente de vendas) e o fortalecimento das healthtechs (startups do segmento de saúde) e agritechs (empresas de tecnologia para agricultura)”.

Maria Carolina Lacombe, vice-presidente e diretora de Comunidade do Valor Capital Group

América Latina atrai oportunidades

Atuando em Venture Capital desde 2013, e na Valor Capital Group desde 2019, Maria Carolina aposta ainda na América Latina como pólo promissor. “Tem muito por vir em 2022. Pensando na América Latina, a região como um todo tem os principais elementos para atrair a atenção de grandes venture capitals”, diz a especialista, se referindo a peculiaridades da região que reúne 20 países, entre eles o Brasil.

Segundo ela, entre os pontos que podem atrair aportes para a América Latina estão o fato de a região ter um grande mercado com problemas estruturais, talentos em tech cada vez mais experientes e um ecossistema emergente.

“Quando olhamos para o cenário econômico e o mercado internacional de Venture Capital, os grandes pólos como Estados Unidos, China, Índia e Europa já são ecossistemas mais maduros, e de certa forma consolidados, além de estarem passando por desafios internos. Isso abre uma grande oportunidade para VCs internacionais interessados em adentrar América Latina e Brasil, especificamente”, diz Maria Carolina, que é mestre em Finanças e Economia.

Em 2021, o financiamento de startups nos principais países da América Latina atingiu um recorde: foram cerca de 15,3 bilhões investidos no período, segundo dados do Trends in Tech produzido pela Associação para Investimentos de Capital Privado na América Latina, ou LAVCA. 

O financiamento na América Latina cresceu 335%, seguindo a tendência de mercados emergentes, em que o crescimento ficou em 128%. Para dar uma dimensão do crescimento considerado explosivo, com o montante de 15,3 bilhões as startups latinas atraíram no ano passado mais que o triplo do recorde anterior, de 4,9 bilhões em 2019. O financiamento nos principais países atingiu um recorde, liderado pelo Brasil, e as fintechs, startups de serviços financeiros, foram as que captaram mais recursos no ano passado.

Previsão para mercado de Venture Capital

Em relação ao volume de investimentos, Maria Carolina também prevê bons ventos para 2022, apesar de fazer uma ressalva. “Continuamos muito animados e esperançosos com o mercado, mas entendemos que 2022, de fato, não terá o mesmo nível de investimento em Venture Capital tão elevado como foi o ano de 2021”, avalia, destacando que “essa perspectiva não está necessariamente ligada ao cenário econômico do Brasil, mas sim à correção de mercado que temos visto tanto no setor público quanto no privado”. 

Para entender, o ano de 2021 foi de recordes de aportes nas startups no Brasil, que receberam mais de 9,6 bilhões – um crescimento de 174% em relação a 2020. 

Já 2022, por sua vez, trouxe algumas incertezas no contexto macroeconômico que não podem ser ignoradas. E, apesar de um cenário de crescimento nos valores aportados em janeiro e fevereiro, ela afirma: “O aparente crescimento em investimentos nos meses de janeiro e fevereiro de 2022 ainda são resultados atrelados das rodadas negociadas no final do ano de 2021”, diz.

Contrariando a previsão da especialista, as projeções da plataforma de inovação Distrito apontam para captações entre 10,7 bilhões e 12,9 bilhões ao longo deste ano.

“Em 2021, o Brasil confirmou sua posição de destaque entre as nações de maior potencial para desenvolvimento do mercado de inovação e tecnologia, atraindo um volume de capital de risco nunca antes visto. Para 2022, continuamos acreditando no crescimento do mercado, mas com uma intensidade um pouco menor dado o cenário desafiador político e econômico no mundo”, afirma Gustavo Gierun, CEO do Distrito. 

“Apesar dos desafios macroeconômicos, o Brasil continua sendo um ambiente repleto de problemas estruturais sendo atacados por empreendedores criativos e competentes, o que gera excelentes oportunidades para investidores”, explica Gustavo.

Perguntas frequentes sobre marketplaces B2B e crypto

O que é marketplace B2B?

O Marketplace B2B (Business to Business), que traduzindo para o português é ou empresa para empresa) é uma plataforma que parece com um shopping ou feira, em que os vendedores oferecem os seus produtos nas vitrines.

O que é criptomoeda?

Criptomoedas são moedas digitais descentralizadas, criadas em uma rede blockchain por sistemas avançados de criptografia que protegem as transações, suas informações e os dados de quem transaciona.

Quais as tendências para 2022 de acordo com Maria Carolina?

Vemos outras tendências em 2022, como a emergência de startups focadas em climatech e ESG (meio ambiente, responsabilidade social e governança), novos B2B marketplaces (plataformas de e-commerce que reúnem vários lojistas em um mesmo ambiente de vendas) e o fortalecimento das healthtechs (startups do segmento de saúde) e agritechs (empresas de tecnologia para agricultura).

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