Romero Rodrigues analisa mercado de venture capital em tempos de recessão

Em entrevista exclusiva, o investidor e cofundador do Buscapé fala sobre a importância das startups terem modelos de negócio eficientes.
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Em tempos de entressafra já anunciados para 2022 no mercado de venture capital (VC) no Brasil, com cenário de juros altos, recessão econômica, demissões em massa e consequente redução da oferta de investimentos, um processo de seleção natural já é esperado no mundo dos negócios

Diante da patinada no total e no volume dos aportes, startups com modelos mais eficientes em capital devem se destacar e conseguir abocanhar as rodadas previstas para ocorrer.

Em entrevista ao Simplifica, Romero Rodrigues, investidor de Venture Capital na Headline e cofundador do Buscapé, conta sobre esse cenário e as oportunidades que surgem a partir desse novo contexto. Siga a leitura para entender mais!

Venture capital e os negócios pelo mundo

O panorama de Venture Capital segue em 2022 diferente da onda crescente vivenciada ano passado, quando os investimentos em startups brasileiras chegaram ao recorde histórico de US$ 9,43 bilhões (2,5 vezes maior que em 2020), segundo dados do relatório Inside Venture Capital, produzido pela plataforma Distrito.

Dados do Distrito, deste ano, mostram que o total de investimentos registrado em startups brasileiras, no 1º trimestre de 2022, chegou a US$ 2 bilhões. Esse número representa alta de apenas 4% em relação ao mesmo período de 2021. As informações do site ainda evidenciam uma queda no número de transações – de janeiro a março foram 167 aportes, 33 a menos do que no mesmo período do ano anterior.

No mercado global, a realidade não é diferente. Levantamento recente do Crunchbase mostrou que fora do país houve recuo em venture funding no primeiro trimestre de 2022

Segundo os dados do relatório, foram investidos cerca de US$ 160 bilhões, o que representa queda de 13% em relação aos US$ 184 bilhões contabilizados no último quartil de 2021.

Rigor nas rodadas de venture capital

O aumento de rigor na escolha de startups para receber aportes já vem sendo anunciado por investidores

Um dos mais recentes ocorreu nesta semana, por Romero Rodrigues. Em seu perfil no LinkedIn, Romero anunciou o primeiro fundo da Headline XP, empresa fruto da parceria entre a Headline (gestora global de venture capital sob o comando dele no Brasil) e a XP Asset. 

A captação, no valor de R$915 milhões superou os R$834 milhões de teto da oferta. No entanto, já chegou com uma chancela. O fundo de participações (FIP) especializado será para investidores qualificados. 

“Queremos formar um portfólio com cerca de 25 startups, em que teremos participações minoritárias de até 20%. A receita é a mesma que venho adotando: apoiar com capital, mentoria e network os melhores empreendedores do Brasil e, com isso, ajudar a desenvolver o ecossistema de empreendedorismo no país, afirma Romero, no anúncio feito em seu perfil.

Segundo ele, “a ideia é analisar entre 1.500 e 2.000 oportunidades e investir em cerca de 8 startups por ano. Uma seleção bem criteriosa.”

Impacto da economia no venture capital

Romero ainda diz que “juros e inflação em alta e indicadores macro desfavoráveis geram um cenário perfeito para boas startups se destacarem e se desenvolverem, porque os modelos de negócios que surgem são mais eficientes em capital e ganham mais destaque diante de uma concorrência menor”.

De acordo com ele, a Headline XP terá foco em atrair, investir e apoiar startups em estágio inicial de desenvolvimento, em setores como software, e-commerce, educação, saúde, mobilidade, ESG, blockchain, entre outros.

Romero é um dos palestrantes confirmados para o Startups Fever, no próximo dia 25 de junho, e vai trazer todo esse cenário em sua participação. Acompanhe, abaixo, detalhes da entrevista exclusiva ao Simplifica:


ROMERO RODRIGUES – fundador do Buscapé e
Investidor de Venture Capital na Headline

Desafios enfrentados no mercado de Venture Capital (VC) atualmente

Quando perguntamos a Romero sobre quais são os desafios enfrentados atualmente no mercado de Venture Capital (VC) em sua perspectiva, ele destaca a alta da inflação e o aumento nas taxas de juros em todo mundo, que podem criar um cenário de recessão global. 

“Isso gera uma redução grande da liquidez, o que pode prejudicar as companhias investidas a levantar novas rodadas. E as companhias que não tiverem caixa suficiente para enfrentar o período de turbulência podem se ver em uma situação difícil”, completa o investidor.

Diferencial para se destacar no mercado

Quando o assunto é oportunidade, Romero destaca a importância das empresas apresentarem modelos de negócio que sejam eficientes

A oportunidade vem justamente do momento em que a turbulência diminui a liquidez. Com isso, obviamente, um número menor de startups deve levantar capital. Mas as que levantarem são geralmente startups com modelos de negócio mais eficientes em capital, que vão ter menos competição e vão conseguir encontrar talentos mais facilmente. Então, pode sim ser um momento oportuno para se criar grandes empresas de tecnologia.”

Potencial de crescimento de venture capital nos próximos anos

O olhar de Romero para o futuro se mantém otimista. Para ele, historicamente, venture capital produz boas safras em períodos de recessão econômica e em períodos de expansão econômica. 

“Isso acontece porque os investimentos sustentáveis se dão em companhias que ainda estão muito pequenas, mas que têm condição de escalar para se tornarem muito, muito grandes. E qualquer turbulência econômica (macroeconômica e política) não afeta essa trajetória dos primeiros anos. Nós seguimos otimistas para venture capital”, afirma.

Importância do Startups Fever para ampliar o debate

O Startups Fever é um evento promovido pela Conta Simples, portal Startups.com e StartSe, que vai reunir os principais nomes do mercado para discutir temas de empreendedorismo, venture capital, inovação, tecnologia e muito mais.

Romero, um dos mais de 40 palestrantes confirmados do evento, ressalta que a realização do Fever é crucial para um ecossistema pujante e grande como é o de startups, para conectar pessoas, capitalizar ideias, desenvolver novos negócios e estimular o empreendedorismo.

“Então, discutir com os maiores empreendedores do Brasil os principais problemas e como cada um deles está resolvendo no mundo é, no mínimo, super animador”, afirma o investidor.

Se você se interessou pelo assunto e quer saber mais, aproveite e faça a sua inscrição no Startups Fever. 

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