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Todo mundo disse que menor de idade não dava dinheiro, mas a NG.CASH foi a 10 milhões de clientes

No segundo episódio do Founder Hacks, Petrus Arruda conta as decisões que levaram a NG.CASH até lá: foco radical, uma parada de sete meses para trocar a infraestrutura e a coragem de começar a cobrar de uma base gratuita.

capa blog founder hacks rodrigo tognini e petrus arruda

Escrito por Mauricio Gomide

Publicado em: 15 de outubro de 2026

6 min de leitura

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Todo founder guarda um repositório que não está em curso nenhum: o atalho que funcionou, a decisão contraintuitiva que deu certo, o erro que custou caro. Esse conhecimento circula em conversa entre fundadores e raramente sai dali.

O Founder Hacks é a série de entrevistas em que os founders da Conta Simples sentam com quem construiu negócios relevantes no Brasil para tirar essa conversa do lugar comum. Nada de trajetória romantizada — o papo vai para decisão prática, número e aprendizado que o outro lado pode usar na segunda-feira.

No segundo episódio, o convidado foi Petrus Arruda, cofundador e COO da NG.CASH, a fintech da nova geração. A tese era resolver o acesso financeiro de quem tem entre 12 e 24 anos — um público que todo mundo na indústria dizia não ter dinheiro. Cinco anos depois, são 10 milhões de clientes e uma operação de crédito sendo construída em cima dessa base.

Separamos quatro hacks do papo. Eles são uma amostra: o episódio completo tem bem mais.

1. O foco que parece improvável é o que revela o produto

Quando a NG.CASH decidiu atender menores de idade, a reação de quem conhecia a indústria era sempre a mesma: não faz sentido, esse público não tem dinheiro, não dá para oferecer produto nenhum, não dá para monetizar.

“A menos óbvia foi focar nos menores de idade.”

Foi justamente o foco de 100% da empresa num público que ninguém queria que fez aparecer o produto. Dois exemplos que Petrus dá no episódio são quase banais e só ficam visíveis para quem está inteiro dentro do problema:

  • A chave PIX. Menor de idade com conta em banco grande entrava como dependente: a chave ficava no CPF, no e-mail ou no telefone dos pais, e sobrava a chave aleatória. A NG.CASH inverteu a ordem — o titular da conta é o menor, e o responsável legal entra como figura vinculada.
  • O cartão. Para esse público, a oferta padrão era débito, que praticamente não passa em e-commerce. Eles lançaram um pré-pago rodando em trilho de crédito: mesma dinâmica de uso, mas com aceitação em compra online e em jogo, que é onde essa geração gasta.

O hack: foco não é só alocação de recurso, é profundidade. As nuances que destravam o produto não aparecem em quem está dividindo atenção entre três públicos.

2. Às vezes a decisão certa é parar de crescer

O primeiro ponto de inflexão da NG.CASH veio de um vídeo. Os sócios publicaram no YouTube, para uma audiência de milhões de inscritos, que eram donos de um banco. Meio milhão de visualizações, demanda entrando.

Só que a operação rodava sobre infraestrutura de terceiros — cara e com pouca margem de manobra. A resposta não foi aproveitar a onda. Foi frear.

A empresa inteira parou para um projeto de migração que durou cerca de sete meses: freou investimento em marketing, virou instituição de pagamento, virou participante direto do PIX, migrou a infraestrutura e passou a emitir cartão diretamente.

“É o custo que você tem que pagar para conseguir dar a próxima pernada de crescimento.”

Por trás da decisão tem um princípio mais simples, que Petrus repete de outras formas ao longo do episódio: cada fase da empresa tem um foco só. Growth, monetização e expansão de canal ao mesmo tempo é o jeito mais rápido de não entregar nenhum dos três.

O hack: um tijolo por vez. E dar um passo atrás na estrutura é o que permite dar dois à frente no crescimento.

banner miolo founder hacks

3. Descubra com quem o seu cliente compara você antes de definir o preço

Na Série B, com o mercado cobrando geração de receita, a NG.CASH fez o movimento que muito fundador adia: transformou uma conta 100% gratuita em conta paga.

“É zero racional você falar: vou cobrar agora pelo meu produto.”

O medo é real — e a saída foi tratar preço como experimento, não como decisão única. Rollout progressivo, teste de aceitação, leitura de churn com e sem cobrança. O resultado foi 95% de aceitação.

A explicação apareceu depois, nas entrevistas com os clientes: eles não estavam comparando a NG.CASH com outras instituições financeiras. Estavam comparando com os outros serviços de assinatura que já pagavam. O modelo de assinatura funcionou muito melhor do que o modelo de taxa porque entrou numa prateleira mental que o cliente já tinha.

E tem um segundo aprendizado dentro do primeiro: no Brasil, a decisão de preço é mais binária do que parece. A diferença grande está entre cobrar e não cobrar — entre R$ 4,90, R$ 9,90 e R$ 29,90, a adesão muda pouco e o resultado final muda muito. Até hoje a empresa mantém safras de clientes em teste contínuo de preço.

4. O relatório das 7h — e as métricas que ele se recusa a olhar

Todo dia, às 7 da manhã, cai um relatório no Slack da NG.CASH com as principais métricas da operação: lucro bruto, receita, receita por cliente, TPV e quantidade de usuários que transacionaram. Se não chegou às 7h01, alguém já está perguntando o que aconteceu. É a primeira coisa que Petrus abre ao acordar.

A parte mais útil do hack, porém, é o avesso: o que ele decidiu não olhar.

Métrica ruidosa fica de fora. ARR virou vocabulário de pitch e diz pouco sobre o dia a dia de quem opera. CAC, CPA e CPM lidos no recorte diário oscilam por motivos que não têm nada a ver com a saúde do negócio — uma data comercial forte já distorce tudo.

“Esse indicador vai do céu ao inferno todo dia.”

Sem contexto, indicador diário vira ansiedade. O que importa é se o mês fecha dentro do alvo.

O hack: gestão à vista não é olhar tudo todo dia. É escolher poucos números que aguentam ser olhados todo dia — e ter a disciplina de ignorar o resto.

Assista ao episódio completo do Founder Hacks

O Founder Hacks com Petrus Arruda está disponível na íntegra, assim como o episódio 01, com o Igor Mascarenhas, da Pier. Para assistir, preencha o formulário abaixo.

Mauricio Gomide

Jornalista de formação e com quase 20 anos de mercado, Maurício Gomide (Goma) migrou para o marketing digital com foco em conteúdo, SEO e inbound. Atualmente integra o time de marketing da Conta Simples, fintech brasileira especializada em cartão corporativo e gestão de despesas.

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