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De seguro de celular em São Paulo a 200 mil clientes: os hacks de Igor Mascarenhas, da Píer

No episódio de estreia do Founder Hacks, o Tog conversa com Igor Mascarenhas, fundador da Píer, sobre as decisões que levaram a primeira seguradora 100% digital do Brasil a 200 mil clientes. Foco radical, comunidade como canal de aquisição e disciplina de caixa: quatro hacks do papo — e o convite para assistir ao episódio completo.

Escrito por Mauricio Gomide

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Publicado em: 21 de setembro de 2026

Atualizado em: 21 de setembro de 2026

4 min de leitura

Todo founder acumula um repositório que não está em curso nenhum: o atalho que funcionou, a decisão contraintuitiva que deu certo, o erro que custou caro. Esse conhecimento costuma circular em conversa de bar, entre fundadores, e raramente sai dali.

O Founder Hacks nasceu para tirar essa conversa do bar. É a nova série de entrevistas da Conta Simples em que o Tog, nosso CEO e cofundador, senta com fundadores que construíram negócios relevantes no Brasil e pede exatamente isso: os hacks. Nada de trajetória romantizada — o papo vai para decisão prática, número e aprendizado que o outro lado pode usar na segunda-feira.

No episódio de estreia, o convidado é Igor Mascarenhas, fundador da Píer, a primeira seguradora 100% digital do Brasil. Fundada em 2018, a empresa chegou a cerca de 200 mil clientes e 200 colaboradores — construindo, ainda por cima, a própria régua regulatória para existir.

Separamos quatro hacks do papo. Eles são uma amostra: o episódio completo tem bem mais.

1. Se o ecossistema não está pronto, construa as adjacências

Para criar uma seguradora digital, Igor esbarrou em uma legislação que simplesmente não previa aquilo. A resposta não foi esperar o mercado amadurecer.

Ele bateu na porta de um dos maiores escritórios de advocacia do país sem ter como pagar a conta — e saiu de lá com um programa de fomento a startups criado do zero, que só foi remunerado quando a empresa levantou capital. Em paralelo, ajudou a fundar a associação brasileira de insurtechs para negociar com o regulador com mais força coletiva, e participou da construção do sandbox e da segmentação das seguradoras.

O hack: fundador não pode terceirizar a culpa para o sistema que “não estava preparado”. Quando a estrutura de apoio não existe, criá-la faz parte do trabalho — e quem cria sai na frente.

2. Niche to win: foco não é falta de ambição

A Píer começou vendendo seguro de celular contra roubo, só em São Paulo. Nicho do nicho do nicho — enquanto a ambição declarada era construir a maior seguradora da América Latina.

“É muito fácil você confundir o foco com a falta de ambição.”

A empresa demorou de propósito para ampliar cobertura, depois produto, depois canal — nessa ordem. O raciocínio é de alocação: cada expansão dissipa recurso e multiplica complexidade. Concentrar tudo em um único ponto aumenta a probabilidade de vencer ali antes de abrir a próxima frente.

3. Para entender seu cliente, vá aos extremos

Quando a Píer percebeu que um grupo de clientes recomendava a marca de forma desproporcional, foi atrás de entender por quê. Dali saíram um programa de embaixadores e uma comunidade que, na fase inicial, respondia por perto de 40% dos novos clientes — praticamente o único canal de aquisição da empresa.

O método que ele usa para chegar lá é simples de aplicar em qualquer negócio: pegue o cliente mais satisfeito e o mais insatisfeito, entenda a fundo por que cada um está assim e você terá os atributos que realmente importam. Satisfação deixa de ser métrica de NPS e vira vetor de crescimento.

4. Caixa primeiro. Depois, o indicador que se move antes do caixa

Igor pagou na mão os 100 primeiros fornecedores da Píer. É dessa vivência que sai o conselho mais direto do episódio para quem está começando:

“Você pode ter muita margem, você pode crescer e quebrar. Basta você ter um descasamento de fornecedor.”

Mas o hack não para no fluxo de caixa. Conforme a empresa cresce, olhar só para o caixa vira olhar pelo retrovisor. O passo seguinte é identificar o leading indicator do seu negócio — o número que se move antes do caixa se mover — e entender quais são as cinco variáveis que mais influenciam o resultado. Só então vem a parte que muita gente inverte: escolher ferramentas de controle à altura dessas variáveis.

Assista os episódios completos do Founder Hacks

O Founder Hacks com Igor Mascarenhas está disponível na íntegra. Confira esse e outros episódios clicando no botão abaixo.

Mauricio Gomide

Jornalista de formação e com quase 20 anos de mercado, Maurício Gomide (Goma) migrou para o marketing digital com foco em conteúdo, SEO e inbound. Atualmente integra o time de marketing da Conta Simples, fintech brasileira especializada em cartão corporativo e gestão de despesas.

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