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Como fazer um demonstrativo de resultados? (DRE)

A DRE mostra se a empresa deu lucro ou prejuízo num período, separando receita, custo dos produtos vendidos, despesas operacionais e lucro líquido. O artigo explica o que entra em cada linha e como usar o resultado para decidir investimento ou corte de custo.

Escrito por Mauricio Gomide

Publicado em: 15 de março de 2024

Atualizado em: 28 de outubro de 2026

4 min de leitura

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A DRE, ou demonstração do resultado do exercício, mostra o caminho entre tudo o que a empresa vendeu num período e o que de fato sobrou no fim. Linha a linha, ela revela onde o dinheiro foi parar. Ele costuma ser feito anualmente, mas pode ser criado de acordo com a periodicidade desejada.

Ela organiza receitas, custos e despesas na ordem em que acontecem, e é esse recorte que permite comparar meses, achar o ponto em que a margem aperta e decidir o próximo passo. Vale avisar desde já: DRE não é fluxo de caixa, e a diferença entre as duas está explicada mais abaixo. 

O demonstrativo de resultados é importante para o negócio porque fornece uma visão clara e objetiva dos resultados financeiros, que com base nesses dados pode-se criar um relatório de acompanhamento dos gastos e até adicioná-los ao planejamento financeiro.

Por que o demonstrativo de resultados é importante para o seu negócio?

O demonstrativo de resultados é uma ferramenta essencial de prestação de contas — para o Fisco, para sócios e investidores e, cada vez mais, para o banco que avalia uma linha de crédito. Apresenta um controle positivo da rentabilidade, metas e objetivos estabelecidos.

Em resumo, o demonstrativo de resultados é importante para o negócio porque oferece informações essenciais para a tomada de decisões, a transparência financeira e a avaliação do desempenho da empresa. É uma ferramenta fundamental para o sucesso e a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Como montar uma DRE, linha a linha

A DRE é uma subtração em cadeia. Cada linha parte do resultado da anterior, e é essa ordem que diz em que ponto o dinheiro está indo embora. Veja a estrutura com um exemplo de um mês fechado:

LinhaO que entraExemplo
Receita brutaTudo que a empresa vendeu no período, tenha recebido ou nãoR$ 500.000
(−) Deduções da receitaImpostos sobre a venda, devoluções e descontos incondicionaisR$ 90.000
(=) Receita líquidaO que sobra da venda depois do que nunca foi seuR$ 410.000
(−) Custo dos produtos vendidosO custo do que foi efetivamente vendido — não do que está em estoqueR$ 210.000
(=) Lucro brutoQuanto a operação gera antes da estrutura da empresaR$ 200.000
(−) Despesas operacionaisTime administrativo, aluguel, marketing, software, contabilidadeR$ 130.000
(=) Resultado operacionalO resultado da atividade-fim, antes de juros e impostos sobre o lucroR$ 70.000
(+/−) Resultado financeiroJuros pagos e recebidos, tarifas, variação cambial− R$ 10.000
(=) Resultado antes do IRA base sobre a qual os tributos sobre o lucro incidemR$ 60.000
(−) IRPJ e CSLLTributos sobre o lucro, conforme o regime tributárioR$ 15.000
(=) Lucro líquidoO que de fato sobrou para a empresa no períodoR$ 45.000

Repare na distância entre a primeira linha e o lucro bruto: a empresa vendeu R$ 500 mil e o lucro bruto foi de R$ 200 mil. Confundir as duas coisas é o jeito mais rápido de achar que o negócio vai bem quando ele não vai — e é exatamente por isso que a ordem das linhas importa mais do que os nomes.

Dois detalhes que mudam o nome da quarta linha conforme o seu negócio: quem revende mercadoria usa CMV (custo das mercadorias vendidas), quem produz usa CPV (custo dos produtos vendidos) e quem presta serviço usa CSP (custo dos serviços prestados). A lógica é a mesma nos três: entra o custo do que saiu, não do que está parado.

E uma ressalva de regime: no Simples Nacional, a maior parte dos tributos chega numa guia só, o DAS, e costuma aparecer nas deduções da receita em vez da linha de IRPJ e CSLL. Vale conferir com a sua contabilidade como ela classifica, para a sua DRE conversar com o balanço.

Competência, não caixa

Um ponto que separa a DRE de todo o resto: ela registra o que foi ganho e gasto no período, independentemente de o dinheiro ter entrado ou saído. Venda parcelada entra inteira na receita do mês da venda. Aluguel pago adiantado entra mês a mês.

Por isso DRE não é fluxo de caixa, e as duas precisam existir lado a lado. A DRE diz se a operação dá lucro; o fluxo de caixa diz se tem dinheiro na conta na sexta-feira. Dá para ter lucro na DRE e caixa negativo no mesmo mês — e é nesse descompasso que a maioria das empresas pequenas se enrola.

Mauricio Gomide

Jornalista de formação e com quase 20 anos de mercado, Maurício Gomide (Goma) migrou para o marketing digital com foco em conteúdo, SEO e inbound. Atualmente integra o time de marketing da Conta Simples, fintech brasileira especializada em cartão corporativo e gestão de despesas.

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