A DRE, ou demonstração do resultado do exercício, mostra o caminho entre tudo o que a empresa vendeu num período e o que de fato sobrou no fim. Linha a linha, ela revela onde o dinheiro foi parar. Ele costuma ser feito anualmente, mas pode ser criado de acordo com a periodicidade desejada.
Ela organiza receitas, custos e despesas na ordem em que acontecem, e é esse recorte que permite comparar meses, achar o ponto em que a margem aperta e decidir o próximo passo. Vale avisar desde já: DRE não é fluxo de caixa, e a diferença entre as duas está explicada mais abaixo.
O demonstrativo de resultados é importante para o negócio porque fornece uma visão clara e objetiva dos resultados financeiros, que com base nesses dados pode-se criar um relatório de acompanhamento dos gastos e até adicioná-los ao planejamento financeiro.
Por que o demonstrativo de resultados é importante para o seu negócio?
O demonstrativo de resultados é uma ferramenta essencial de prestação de contas — para o Fisco, para sócios e investidores e, cada vez mais, para o banco que avalia uma linha de crédito. Apresenta um controle positivo da rentabilidade, metas e objetivos estabelecidos.
Em resumo, o demonstrativo de resultados é importante para o negócio porque oferece informações essenciais para a tomada de decisões, a transparência financeira e a avaliação do desempenho da empresa. É uma ferramenta fundamental para o sucesso e a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
Como montar uma DRE, linha a linha
A DRE é uma subtração em cadeia. Cada linha parte do resultado da anterior, e é essa ordem que diz em que ponto o dinheiro está indo embora. Veja a estrutura com um exemplo de um mês fechado:
| Linha | O que entra | Exemplo |
|---|---|---|
| Receita bruta | Tudo que a empresa vendeu no período, tenha recebido ou não | R$ 500.000 |
| (−) Deduções da receita | Impostos sobre a venda, devoluções e descontos incondicionais | R$ 90.000 |
| (=) Receita líquida | O que sobra da venda depois do que nunca foi seu | R$ 410.000 |
| (−) Custo dos produtos vendidos | O custo do que foi efetivamente vendido — não do que está em estoque | R$ 210.000 |
| (=) Lucro bruto | Quanto a operação gera antes da estrutura da empresa | R$ 200.000 |
| (−) Despesas operacionais | Time administrativo, aluguel, marketing, software, contabilidade | R$ 130.000 |
| (=) Resultado operacional | O resultado da atividade-fim, antes de juros e impostos sobre o lucro | R$ 70.000 |
| (+/−) Resultado financeiro | Juros pagos e recebidos, tarifas, variação cambial | − R$ 10.000 |
| (=) Resultado antes do IR | A base sobre a qual os tributos sobre o lucro incidem | R$ 60.000 |
| (−) IRPJ e CSLL | Tributos sobre o lucro, conforme o regime tributário | R$ 15.000 |
| (=) Lucro líquido | O que de fato sobrou para a empresa no período | R$ 45.000 |
Repare na distância entre a primeira linha e o lucro bruto: a empresa vendeu R$ 500 mil e o lucro bruto foi de R$ 200 mil. Confundir as duas coisas é o jeito mais rápido de achar que o negócio vai bem quando ele não vai — e é exatamente por isso que a ordem das linhas importa mais do que os nomes.
Dois detalhes que mudam o nome da quarta linha conforme o seu negócio: quem revende mercadoria usa CMV (custo das mercadorias vendidas), quem produz usa CPV (custo dos produtos vendidos) e quem presta serviço usa CSP (custo dos serviços prestados). A lógica é a mesma nos três: entra o custo do que saiu, não do que está parado.
E uma ressalva de regime: no Simples Nacional, a maior parte dos tributos chega numa guia só, o DAS, e costuma aparecer nas deduções da receita em vez da linha de IRPJ e CSLL. Vale conferir com a sua contabilidade como ela classifica, para a sua DRE conversar com o balanço.
Competência, não caixa
Um ponto que separa a DRE de todo o resto: ela registra o que foi ganho e gasto no período, independentemente de o dinheiro ter entrado ou saído. Venda parcelada entra inteira na receita do mês da venda. Aluguel pago adiantado entra mês a mês.
Por isso DRE não é fluxo de caixa, e as duas precisam existir lado a lado. A DRE diz se a operação dá lucro; o fluxo de caixa diz se tem dinheiro na conta na sexta-feira. Dá para ter lucro na DRE e caixa negativo no mesmo mês — e é nesse descompasso que a maioria das empresas pequenas se enrola.



