O que são deep techs e como elas impactam o mercado

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Com a proposta de revolucionar o mercado e impulsionar novas áreas, as deep techs estão marcando presença e reforçando o fato de que a tecnologia pode ir além de automatizar processos. 

Em um mundo cada vez mais acelerado e cheio de mudanças, elas estão reformulando o conceito de inovação, trazendo soluções nunca antes vistas e que envolvem muita pesquisa tecnológica.

Para falar sobre o assunto, o Simplifica conversou com Lucas Delgado, co-fundador da Emerge, empresa especializada na integração de tecnologias e soluções deep techs. 

Pronto para mergulhar nesse universo das deep techs?

O que são deep techs e como elas funcionam?

O termo deep tech, em tradução livre, quer dizer tecnologia profunda. Ele se refere a empresas ou ecossistemas com a ideia de desvendar tecnologias complexas que entregam soluções de alto impacto.

A função desse tipo de empresa é basicamente tangibilizar descobertas científicas e inovações de engenharia, com o intuito de aplicar a tecnologia no desenvolvimento de soluções pioneiras que têm como objetivo auxiliar em questões crônicas da nossa sociedade.

Geralmente, as deep techs estão associadas a resolver problemas (ligados ao clima, a doenças, à mobilidade em grandes centros urbanos, à produção de alimentos) e nascem em laboratórios ou universidades, com grupos de pesquisadores.

A diferença delas para outras empresas que também são inovadoras é que elas possuem um enorme potencial de mudança, com soluções que podem se materializar em transformações profundas na sociedade.

Assim, é possível perceber que as deep techs são responsáveis por promover uma ligação entre a complexidade da ciência e os investidores, evidenciando que o processo de pesquisa tecnológica tem o potencial para virar negócio e ainda transformar o mundo.

Quais são os maiores desafios de uma empresa que conecta cientistas e o mercado?

Segundo Delgado, é possível elencar os desafios das deep techs sob duas perspectivas. Do lado da ciência, primordialmente concentrada nas universidades, há a necessidade de auxiliar os cientistas a compreenderem a identificar as tecnologias que possuem e como descrever da melhor maneira suas características conforme as empresas costumam requisitar.

Lucas Delgado, co-fundador da Emerge, especialista em deep techs
Lucas Delgado, co-fundador da Emerge

“Nesse âmbito, também há um desafio de alinhar as perspectivas e políticas das universidades para a construção das parcerias, uma vez que muitas ainda estão implantando as possibilidades abertas pela Lei da Inovação e criando seus primeiros cases”, observa o co-fundador.

Sob a perspectiva do mercado, há o desafio geral de demonstrar que inovação possui um amplo espectro de possibilidades e não somente as vias de transformação digital, conexão com startups digitais e construção de POCs (provas de conceito).

“É preciso mostrar o grande potencial de resultado de curto, médio e longo prazo que as deep techs possuem para o negócio e ter em mente que nem sempre é necessário milhões de dólares, uma dezena de anos e um robusto centro de pesquisa e desenvolvimento para se obter resultados dessas parcerias”, afirma. 

Ele ainda reforça: “tudo depende dos objetivos estratégicos e do horizonte de inovação que a empresa está buscando, mas definitivamente é preciso adicionar a inovação focada em deep techs no portfólio de ações, uma vez que ela é fundamental para o nível de competitividade global no médio e longo prazo”.

Quais são as perspectivas para as deep techs no Brasil ?

Como tudo na vida, as deep techs apresentam a parte mais favorável e a que demanda mais esforço. Em termos de ameaça ou fraqueza, de acordo com Lucas, é preciso aumentar o investimento em ciência, tecnologia e inovação

“Reforçar a infraestrutura dos laboratórios das universidades, facilitar o acesso a insumos, ampliar e aumentar as bolsas de pós-graduação, criar mais vias de financiamento para pesquisa são alguns pontos necessários. O investimento governamental nessa pauta é fundamental e imprescindível para prosperar em qualquer país, e o Brasil precisa retomar o ritmo de investimento que tínhamos nos anos 2000”, lembra o co-fundador da Emerge.

Em termos de oportunidades, Delgado ressalta o potencial da nossa produção do conhecimento e da nossa capacidade em termos ambientais. “Sem dúvidas, há um vasto campo de oportunidades que podemos aproveitar para emergir deep techs globalmente competitivas. O Brasil é o 15º maior produtor de conhecimento científico no mundo, sendo respeitado em diversos campos e na questão das universidades que produzem muito conhecimento. Além disso, a pauta de sustentabilidade torna-se cada vez mais relevante para o mundo, e temos aqui 20% de toda a biodiversidade global”, acrescenta.

Quais são as tendências para o futuro?

Para Delgado, embora mais tradicional, o mercado de startups digital (em geral) ainda conta com um potencial enorme e permanecerá crescendo. A transformação digital será, por muito tempo, uma via muito relevante de oportunidades e criação de negócios.

Nos últimos anos, podemos observar um considerável aumento no investimento em deep techs nas áreas de biotecnologia, nanotecnologia, materiais avançados, inteligência artificial, energia e outras, puxado por países como EUA, China, Israel, Alemanha e Holanda. 

“O Brasil começa a surfar essa onda e possui um potencial importante na pauta de sustentabilidade. Esse tema vem ganhando muita força no desenvolvimento de tecnologias nas principais universidades do mundo, e o Brasil possui um grande potencial para estar na liderança da pauta, especialmente a partir da sua vasta biodiversidade”, destaca.

Elas provocarão, segundo ele, uma profunda mudança na relação que temos como sociedade e com o planeta. E, naturalmente, isso abrirá, cada vez mais, um grande campo de oportunidades de negócios. “Estamos falando de novos tratamentos, novos algoritmos de Inteligência Artificial, novas formas de produzir alimentos, mudanças genéticas, novas formas de geração e armazenamento de energia. Enfim, todos os setores passarão por mudanças profundas, e precisamos não só monitorar, mas engajar pragmaticamente com esse universo para não ficarmos para trás”, alerta o especialista.

Natália Plascak
Natália Plascak
Especialista em Conteúdo na Conta Simples, é formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em Jornalismo e tem um MBA em Gestão de Mídias Digitais e Inteligência de Negócios pela ESPM. Trabalha com Marketing Digital desde 2017.
Natália Plascak
Natália Plascak
Especialista em Conteúdo na Conta Simples, é formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em Jornalismo e tem um MBA em Gestão de Mídias Digitais e Inteligência de Negócios pela ESPM. Trabalha com Marketing Digital desde 2017.
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