Meios de pagamento: qual é o futuro?

Tripé foi apresentado por economista e professor da FGV, Roberto Kanter, que alerta para a rapidez da transformação digital que setor de pagamentos vem passando
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Você é daqueles que anda com dinheiro no bolso e usa cartões físicos para realizar transações? Se sim, prepare-se porque a digitalização dos meios de pagamento é um caminho sem volta e tende a se intensificar nos próximos anos. Até 2025, as transações sem dinheiro em espécie na América Latina devem aumentar mais de 52%, segundo a consultoria PwC. E, em tempos cada vez mais digitais, tendências baseadas em biometria, transmissão de dados, carteiras móveis e muita tecnologia vão marcar o futuro dos novos meios de pagamentos.

Essa é a previsão apresentada pelo economista e professor em MBAs da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Kanter, que traça essa transformação baseada em três pilares: segurança, experiência do cliente e formação de grandes ecossistemas de negócios. 

Tripé foi apresentado por economista e professor da FGV, Roberto Kanter, que alerta para a rapidez da transformação digital que setor de pagamentos vem passando
Roberto Kanter, economista e professor da FGV

Segurança

Primeiro dos três pilares citados pelo especialista, a segurança é tratada como essencial para a garantia da confiança das pessoas nas formas digitais de pagamento. “As empresas hoje investem alto em segurança de hardwares e softwares com vistas a reduzir ou até mesmo eliminar os riscos de ataques ou vazamentos em seus sistemas, para que o cliente possa ter uma experiência mais segura e confiável ao usar meios digitais”, afirma Roberto. 

Ele ressalta que, devido ao crescente uso do smartphone, a modalidade mobile payment (aquela em que qualquer pagamento pode ser feito usando um dispositivo móvel) está cada vez mais em cena. E, com isso, foram desenvolvidas várias formas para permitir que os consumidores paguem usando apenas o celular.

“Desde pagar a conta do bar, o pedido de delivery diretamente no aplicativo, o aluguel de um imóvel ou qualquer outra atividade do dia a dia, tudo pode ser feito com o celular. Isso vale tanto para CPFs, quanto para CNPJs e, cada vez mais, a tecnologia tem permitido processos mais seguros nessas transações.” Roberto Kanter, economista, professor em MBAs da Fundação Getúlio Vargas e CEO da Canal Digital.  

Experiência do cliente 

Considerada o segundo pilar do processo de digitalização das formas de pagamento, a experiência do cliente, ou customer experience, como é conhecida, é classificada pelo economista como uma ferramenta de poder na mão do cliente. “Os meios de pagamento hoje estão com layout  cada vez mais modernos, informações mais claras e com fluxos de transações e relatórios mais intuitivos, mais simples e melhores. Isso estimula o cliente a usufruir das opções digitais de pagamento”, explica o professor. 

Fortalecimento do ecossistema de negócios

Ainda segundo Roberto, a junção da segurança com a experiência do consumidor levam ao fortalecimento do terceiro pilar: a formação do ecossistema de negócios. “A tendência para o futuro dos pagamentos é que eles sejam construídos em plataformas tecnológicas únicas, de modo que eles estejam centralizados em um ou em poucos lugares”, afirma. 

No futuro, segundo o especialista, os aplicativos de bancos ou instituições financeiras vão oferecer a possibilidade de reunir outros serviços como como aplicativos de alimentação, de viagem, aluguel de veículos e imóveis, plataformas de streaming, marketplaces e outros tantos prestadores de serviços.

“Isso não significa que vai haver uma fusão das empresas ou instituições, mas sim que os meios de pagamento estarão integrados, criando assim um mega ecossistema. Ou seja, não será uma fusão financeira, mas uma fusão tecnológica. E quanto maior for esse ecossistema, mais forte ele será”, afirma.  

A formação dos ecossistemas de negócios, com plataformas que reúnam diferentes, é um dos pilares da transformação digital dos meios de pagamento. Fonte: Roberto Kanter/Canal Vertical

Tendência entre os meios de pagamento, segundo Roberto Kanter

Algumas das tendências de meios de pagamento que têm se disseminado pouco a pouco no Brasil ou que estão por se tornar realidade por aqui, já são praticadas em outros países, apresentando soluções práticas, seguras e com cada vez mais espaço no mercado. Da lista, o professor Roberto lista algumas das principais:

  • NFC

A Near Field Communication (NFC) é uma solução tecnológica que pode ser entendida como uma comunicação por proximidade. Funciona ao permitir que dois dispositivos troquem dados em uma distância de centímetros — desde que um chip específico esteja instalado em ambos os equipamentos. É uma tendência dos meios de pagamentos pois com ela, será possível realizar transações e pagamentos por meio dos dispositivos em lojas que disponibilizam os terminais de cartão de crédito e conexão com o serviço.

  • MPOs

Considerado o “fim da maquininha de cartão”, o método de pagamento por mPOS permite a comunicação entre dois dispositivos móveis, ou seja, de um celular para o outro, por exemplo. A transação ocorre a partir de uma comunicação via Bluetooth ou NFC, com a leitura do cartão de pagamento de crédito ou débito — onde quer que esteja o consumidor.

Ele se firma como tendência para o futuro, pois conta com a vantagem de oferecer ao lojista serviços adicionais que contribuem para uma melhor gestão financeira, como, atualização do cadastro do cliente, geração de relatórios financeiros, e envio de faturas por e-mail.

  • Biometria

Método que está dentro do pilar da segurança, seja dos sistemas bancários ou dos smartphones, o pagamento por biometria consiste no uso da tecnologia que permite ao cliente pagar por suas compras sem a necessidade de usar cartão de crédito, débito, e dinheiro, pois essa solução usa apenas características, como digital e íris.

Pesquisa da Dentsu Data Labs (DDL), encomendada pela Idemia (empresa de identidade aumentada mostra que 90% dos consumidores aprovam o uso desse tipo de tecnologia como forma de aumentar a proteção de seus pagamentos com cartão, conforme aponta 

  • Carteira Móvel 

Carteiras digitais são uma versão digital de contas e cartões, facilmente acessíveis em um aplicativo via computador, smartphone ou qualquer outro dispositivo inteligente que, basicamente, elimina a necessidade de carregar uma carteira real. As carteiras móveis representam em torno de 30% dos pagamentos na Europa e vão chegar a 40% em 2025. Na Ásia, já representam 70%, com perspectiva de chegar a 80% daqui a três anos. 

  • Bitcoins

Primeira moeda virtual criada no mundo, o bitcoin pode ser usado para a compra de serviços, produtos e quaisquer outros itens em estabelecimentos que aceitem ser pagos com ele.O bitcoin é totalmente digital, não possuindo uma moeda ou cédula física e, por isso, entra na categoria de criptomoeda. 

Pandemia acelerou digitalização dos meios de pagamento

Ainda sobre o processo de digitalização dos pagamentos, o professor Roberto Kanter explica que toda essa transformação tem relação direta com as mudanças provocadas pela pandemia. Isso inclui, tanto a mudança de hábitos, com mais compras sendo feitas pela internet, bem como a aceleração do processo de digitalização a que as pessoas tiveram que se adaptar. E alerta que, quem não se adequar a essas novas realidades, sejam pessoas físicas ou jurídicas, enfrentarão dificuldades ou até mesmo verão seus negócios fora do mercado. 

“A pandemia provocou uma enorme mudança de cenário. Tivemos em dois anos o equivalente a quase 20 anos de evolução digital. E os hábitos dos consumidores e dos empreendedores também mudaram, não só nas grandes corporações, mas também entre os pequenos e microempresários, que concentram 80% das pessoas empregadas no país”, afirma o economista. 

Segundo ele, essas eram pessoas que tinham tendência a não se digitalizar, mas que tiveram que adquirir hábitos digitais diante da falta de opção imposta pelo isolamento social durante a pandemia. “Com isso, obviamente, todo o ambiente de negócios se reestruturou e se adaptou para oferecer a possibilidade das compras via internet”, comenta Roberto.

Dado da Associação Brasileira de E-commerce apresentados pelo especialista mostram que cerca de 20 milhões de brasileiros passaram a comprar pela internet e usar meios de pagamento digital, durante a pandemia.

“Esse é um número expressivo e que contraria um comportamento anterior das pessoas no Brasil, que não tinham hábito de compras online, seja por insegurança, medo ou por controle. 

Além da mudança de paradigma, com consequente adesão às compras pela internet, o especialista destaca ainda que a tendência por digitalização está ligada à melhoria da experiência que o usuário está tendo, dia a dia.

“Anteriormente, a solução apresentada por aplicativos era sempre mais difícil. Mas, os telefones se modernizaram e melhoraram muito. Também aumentou o acesso à internet e, ao invés de precisar entrar no computador, as pessoas passaram a fazer tudo pelo celular. 

Realidade global dos pagamentos digitais 

Mesmo antes da pandemia, as formas de pagar por bens e serviços eram a evidência de uma evolução constante para os pagamentos digitais. E os volumes globais de pagamentos feitos dessa forma deverão aumentar em mais de 80% até 2025, com as transações passando de cerca de um trilhão para quase 1,9 trilhão por ano. Até 2030, o total deve quase triplicar, de acordo com a análise da PwC e de seu braço de consultoria estratégica, a Strategy&.

A região Ásia-Pacífico crescerá mais rapidamente, com o volume de transações sem dinheiro em espécie aumentando em 109% até 2025 e, depois, em 76% até 2030. Em seguida, estão a África (com 78% e 64%, respectivamente) e a Europa (64% e 39%).

A América Latina vem depois (52% e 48%), e os EUA e o Canadá terão o crescimento mais lento (43% e 35%) (ver figura a seguir). Isso significa que, até 2030, o número de transações per capita sem dinheiro em espécie será aproximadamente o dobro ou o triplo do nível atual em todas as regiões.

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