IPO: entenda riscos e oportunidades da abertura de capital na visão do CEO do GetNinjas

À frente da plataforma de serviços que conecta profissionais e clientes, Eduardo L'Hotellier fala sobre processo de preparação e as mudanças vindas pós IPO
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De uma ideia ainda sem um mínimo produto viável (MVP) à bolsa de valores, a jornada é longa. É que, mesmo sendo o sonho de muitos empreendedores, conseguir alcançar uma oferta pública inicial (initial public offering, ou IPO) bem-sucedida é um trabalho intenso, que exige planejamento, estudo e um time forte de especialistas.

É o que explica Eduardo L’Hotellier, CEO do GetNinjas, startup focada na contratação de serviços e que conecta clientes e profissionais, sobre o processo de IPO, ou seja, o momento em que uma empresa abre seu capital pela primeira vez, por meio de ações que são negociadas na bolsa de valores.

No caso do GetNinjas, o IPO veio em maio do ano passado, mas a preparação já vinha desde outubro de 2020, de forma bastante criteriosa.

“Foram sete meses de preparação, envolvendo quatro equipes de auditoria e uma consultoria, além de muito estudo sobre timing do mercado, olhar atento sobre o caixa interno, ao conselho empresarial e ao jurídico, entre outros pontos importantes”. Eduardo L’Hotellier, CEO do GetNinjas

O GetNinjas nasceu em 2011 e, atualmente, está presente em mais de 4 mil cidades do país, com mais de 500 tipos de serviços disponíveis. A plataforma tem mais de 4,2 milhões de profissionais cadastrados e registra, anualmente, mais de 4 milhões de serviços solicitados.

Desde a fundação, o GetNinjas levantou mais de R$ 90 milhões em cinco rodadas de investimento e viu seu quadro de funcionários aumentar em 50,8% entre março de 2021, quando tinha 169 colaboradores, e hoje, com os atuais 255 funcionários. 

O Simplifica conversou com Eduardo L’Hotellier para entender os riscos e oportunidades da abertura de capital. Confira detalhes da entrevista exclusiva.

Eduardo L’Hotellier, CEO do GetNinjas

Preparação para iniciar o IPO

Quando perguntado sobre os principais pontos que uma empresa precisa se atentar no processo de preparação para a Oferta Pública Inicial (IPO), L’Hotellier aconselha que a empresa se prepare com muita antecedência para este momento.

E conta como foi a experiência do GetNinjas.

“Contamos com quatro equipes para realizar auditoria, além de uma consultoria que nos auxiliou neste processo. Iniciamos as conversas do road show em outubro de 2020 para entender melhor os ânimos dos investidores também. No total, foram mais de 180 reuniões com o mercado. Garantimos o IPO em maio de 2021”, diz.

O CEO ainda alerta que, no momento de abrir capital, “é preciso levar em consideração também o timing do mercado, pois existe um risco macroeconômico que vai impactar nessa tomada de decisão”. 

Por que realizar um IPO?

Segundo L’Hotellier, uma empresa que busca IPO tem o intuito de investir no negócio captando recursos para crescer e desenvolver ainda mais o core business. “Além disso, uma companhia que passa a ser de capital aberto acaba ganhando mais relevância e atenção do mercado”, afirma.

Pontos de atenção após a abertura de capital

Um dos pontos principais para a companhia se atentar após a aberttura de capital, segundo L’Hotellier, é a necessidade de se seguir o que foi prometido na tese do IPO.

Ele destaca ainda que é preciso considerar que o cenário macroeconômico vai influenciar no desempenho das ações da empresa e que se deve utilizar o caixa de forma estratégica.  

“Preservar o caixa, inclusive, não é exclusividade da velha economia. No atual cenário, vale para as startups também”, afirma. 

“Além disso, é preciso estar atento, junto aos conselheiros da companhia, bem como o jurídico, sobre as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade responsável por fiscalizar as empresas listadas no mercado de valores mobiliários, para evitar sanções”, aconselha o CEO. 

Como fica o RH e contratações da empresa pós IPO

Contratações e quadro de funcionários também passam a ser um ponto estratégico da startups após a abertura de capital, pois, para acompanhar o crescimento da empresa é preciso reforço do time. 

No caso do GetNinjas, L’Hotellier conta que, em 2021, a empresa priorizou investimentos em termos de estruturação de equipe e esta estratégia foi apresentada na tese do IPO.

“Sendo assim, uma parte dos recursos captados pela companhia foi direcionada para uma melhor estrutura de time interno, ainda mais levando em consideração que agora trata-se de uma empresa de capital aberto e que precisa de uma estrutura mais robusta”, afirma. 

Ele conta ainda que a empresa tem uma área focada em Pessoas & Cultura e que os times de Tecnologia e de Produto, por exemplo, aumentaram de tamanho. 

“Temos profissionais muito qualificados para desenvolver uma plataforma cada vez melhor. Hoje, estamos com o time estruturado para esse novo momento da companhia”, afirma. 

Abertura de capital das empresas brasileiras no mercado global

Por fim,  o CEO faz uma leitura global da chegada de empresas brasileiras na bolsa. E conta que, em 2021, houve um fenômeno histórico no mercado financeiro do Brasil, com a chegada de um número recorde de empresas de tecnologia entrando no novo mercado da B3. 

“Antes disso, as opções de techs para o mercado eram bastante limitadas. As estreantes tiveram uma valorização impressionante e, ao longo dos meses seguintes, viu-se uma queda subsequente nos papéis dessas empresas”, afirma.  

L’Hotellier explica que a performance das empresas de tecnologia, em especial das small caps, provém de um setor superestimado, pois há uma alta expectativa do mercado pela entrega de resultados

“Entretanto, os papéis dessas companhias tiveram um prejuízo no curto prazo, e visando um resultado a longo prazo. Outro fator que impactou no papel dessas empresas foi também por terem uma tese nova e com menos histórico e referência, além de fatores macroeconômicos que afetaram todo o setor”, explica. 

O CEO ainda faz uma ressalva: “é importante educar o mercado sobre o modelo de negócio dessas companhias, para que haja um melhor entendimento sobre a complexidade e pormenores das novas tecnologias que estão emergindo”, diz.

IPO no Startups Fever

O GetNinjas estará no palco do Startups Fever, contando um pouco da experiência no processo de IPO. A plataforma será representada pela sua CFO, Cynthia Hobbs, que estará ao lado de Andres Mutschler (Westing) e Marcio Kumruian (Netshoes, ZiYou e Tunne). O trio vai debater sobre oportunidades e desafios no painel Vida pós-IPO. 

Se você se interessou pelo assunto e quer saber mais, aproveite e faça a sua inscrição no Startups Fever

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