Femtechs: o que são e qual é a sua importância para o mercado

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Se você acompanha o mundo das startups, já deve ter ouvido por aí que as femtechs vem ganhando espaço no mercado com uma ideia e um propósito muito fortes.

Trata-se de um nicho que apresenta perspectivas de crescimento acelerado e evolução nos últimos anos, principalmente com a pandemia, e que enfrenta grandes desafios.

Para entender melhor esse cenário, o Simplifica conversou com a Caroline Brunetto, CEO da Ziel Biosciences, uma femtech voltada para pesquisa e desenvolvimento de produtos na área de oncologia.  

Pronto para mergulhar nesse universo? Continue a leitura!

O que são femtechs e como elas surgiram no mercado?

Antes de qualquer coisa, um ponto muito importante é entender o conceito de femtech, que significa Female Technology, ou seja, a tecnologia que empodera a saúde e o bem-estar da mulher

O termo surgiu em 2013 e foi criado pela dinamarquesa Ida Tin, fundadora do Clue, um aplicativo que ajuda a acompanhar o ciclo menstrual e o período fértil das mulheres.

Mulher representando a importância das femtechs

Em resumo, as femtechs são empresas, normalmente startups, que usam a tecnologia para resolver problemas do universo feminino e ajudar no dia a dia das mulheres.

Elas estão associadas a produtos, serviços, aplicativos de celular, softwares, dispositivos médicos e plataformas digitais desenvolvidas para melhorar e apoiar a saúde da mulher.

Geralmente, as soluções trazidas por esse tipo de empresa englobam áreas como fertilidade, bem-estar sexual, ciclos hormonais, contracepção e gravidez, tratando as condições de saúde da mulher em geral.  

Hoje, o mercado brasileiro possui apenas 23 startups nesse segmento. Algumas já se destacam, como:

  • a Theia, aplicativo que acompanha a gestação de uma mulher desde o pré-natal até os primeiros dias após o parto,
  • a Pantys, com uma linha de produtos que alia tecnologia e sustentabilidade e o tecido biodegradável de roupas íntimas,
  • a Ziel Biosciences, com a proposta de um autocoletor com um teste que ajuda a mulher a identificar o câncer de colo de útero.

A história da Ziel

A Ziel Biosciences começou a escrever sua história como uma spin-off (empresa que teve origem em um grupo de investigação) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“Éramos três colegas de laboratório e tínhamos algumas ideias um pouco inconformadas sobre coisas que não existiam e que não estavam disponíveis no mercado. A gente queria desenvolver um “antibiograma”, um teste que pudesse guiar a escolha do tratamento do câncer”, conta Caroline Brunetto, CEO da femtech. 

O projeto foi inscrito em um escopo de ideia e ficou entre os finalistas do prêmio Santander de empreendedorismo, em 2011.

Não ganhamos o prêmio, mas ganhamos a motivação de que aquelas ideias poderiam fazer sentido em um mundo de negócios. Focamos principalmente no câncer de mama, mas, nesse meio do caminho, tivemos outras ideias vinculadas à saúde da mulher. Por isso, a gente se posicionou como uma femtech”, afirma Caroline.

Caroline Brunetto, CEO da Ziel Biosciences, femtech voltada para pesquisa e desenvolvimento de produtos na área de oncologia e saúde da mulher
Caroline Brunetto, CEO da Ziel Biosciences, femtech voltada para pesquisa e desenvolvimento de produtos na área de oncologia

Um dos principais produtos desenvolvidos pela Ziel está relacionado ao rastreamento de câncer de colo de útero. “Desenvolvemos uma forma de a mulher fazer a sua própria coleta quando e onde ela quiser. A ideia é reduzir a jornada. A mulher introduz esse coletor, aperta algumas vezes, e a esponja da ponta desse coletor vai pegar as células do colo do útero. Logo em seguida, a mulher mistura esse material em um líquido e pode encaminhar para o laboratório para fazer o teste e saber se ela tem risco de desenvolver câncer de colo de útero”, explica Brunetto.

“Estamos fazendo o lançamento do produto nos próximos meses. A ideia é que a mulher receba isso como se fosse um coletor de urina”, acrescenta. 

Coletor desenvolvido pela Ziel Biosciences,
Coletor desenvolvido pela Ziel

Os avanços não param por aí. A femtech também está desenvolvendo um teste rápido, que é muito parecido com um teste de gravidez. “A mulher vai fazer a sua coleta e logo depois faz o teste. Aí ela já sabe se ela tem alguma lesão. A gente está fazendo um aplicativo também, em que é possível tirar uma foto do teste e obter o resultado. Futuramente, a ideia é que isso seja vendido em farmácia”, revela a CEO.

“Hoje, ⅔ da população são tratadas pelo SUS quando apresentam o câncer de colo do útero. Só ⅓ tem acesso ao sistema privado de saúde. A gente sabe que essas mulheres ficam mais vulneráveis para receber esse acompanhamento. Em São Paulo, por exemplo, no sistema público são necessários mais de 100 dias para que uma mulher consiga agendar a sua coleta pelo SUS. O que a gente está tentando fazer é introduzir isso no sistema público de saúde com baixo custo para que essas pessoas que hoje não conseguem fazer a coleta de forma rápida tenham acesso a um diagnóstico mais ágil. A gente realmente quer trazer isso para dentro da casa das pessoas. Por isso, falamos muito do empoderamento que existe por trás disso para mudar essa questão.” Caroline Brunetto, CEO da Ziel Biosciences

Outro dado que merece ser destacado é que, no Brasil, mais de 90% das decisões em saúde são realizadas pelas mulheres, e, muitas vezes, elas deixam de lado a própria saúde para cuidar dos filhos e da família. “A Ziel acabou indo justamente para esse foco, para a mulher se empoderar da sua própria saúde”, diz Caroline. 

Por que esse mercado é tão promissor?

Além de envolver questões da própria composição da população (50% da população mundial é formada por mulheres) e de fatores culturais (as mulheres buscam mais serviços médicos do que homens), o mercado global das femtechs conta com números promissores

De acordo com o estudo Femtech Landscape Report do segundo trimestre de 2022, em 2021, o mercado global de femtechs atingiu $25.3 bilhões de dólares. Para 2030, a projeção de crescimento é estimada em $97.3 bilhões de dólares.

A América do Norte e a Europa são as regiões com maior número de empresas desse setor, atualmente. Estados Unidos e Reino Unido lideram esse ranking. Na América Latina, o Brasil se destaca como um terreno fértil, principalmente em áreas como planejamento familiar e integração com a carreira, saúde mental, bem-estar íntimo e sexual e cuidados com a menopausa.

cenário de femtechs no Brasil
Fonte: Femtech Landscape Report do segundo trimestre de 2022

Dos cuidados com a maternidade à prevenção de câncer, o fato é que existe potencial, com inovações que têm um grande mercado endereçável.

Os desafios enfrentados no mercado de femtechs

Embora os números sejam expressivos, os investimentos para femtechs ainda são pequenos e difíceis de serem conseguidos em alguns países. 

Empresas fundadas e lideradas por mulheres ainda têm dificuldade para captar investimento, representando apenas 3% dos investimentos em digital health.

Para acelerar mesmo, é preciso educar os investidores sobre esse mercado, que muitas vezes é relegado a segundo plano nas estratégias de portfólio.

“Os desafios são muitos. O país como um todo tem investido menos em pesquisa e desenvolvimento, seja no setor público ou privado. A gente busca investimentos, inclusive para tirar os produtos da nossa esteira e colocar no mercado. Isso requer investimento de pessoal, infraestrutura, marketing. São muitos recursos envolvidos”, confirma a empreendedora. 

Outro aspecto relevante é explicar para esse mundo de investimentos, ainda muito masculino, as dores que envolvem o meio. “Quem trabalha em femtechs tem uma dificuldade a mais que é traduzir para esse universo de investidores a realidade feminina e fazer com que eles tenham empatia. Às vezes, é difícil um homem se colocar no lugar de uma mulher e entender determinadas questões como a exposição a uma situação constrangedora na coleta, a dor que o processo pode causar ou até mesmo a situação de sofrer abuso, ou pertencer a grupos de pessoas que não se identificam como mulheres mas têm útero e precisam passar por esse momento. Tudo isso a gente tem que trazer para o universo masculino e traduzir de uma forma compreensível para que eles tenham empatia e entendam a importância de investir”, observa. 

Mesmo assim, em meio a dificuldades e tantos desafios, o propósito fala mais alto. “De verdade, nunca pensei em desistir. Começamos com três sócias, e daquela formação inicial da empresa só ficou eu. Talvez, eu tenha um perfil de mais resiliência, e é preciso ter para investir tempo, recurso e energia. É complicado, é difícil, mas, quando a gente acredita em alguma coisa e em uma causa de verdade, a gente segue firme”, lembra Caroline.

Dica: investidores focados exclusivamente em femtechs

  • Avestria Ventures Management LLC
  • Unorthodox Ventures
  • Coyote Ventures
  • Portfolia
  • Rhia Ventures’
  • Arboretum Ventures
  • Astarte Ventures
  • Kidron Capital Assets LP
Natália Plascak
Natália Plascak
Especialista em Conteúdo na Conta Simples, é formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em Jornalismo e tem um MBA em Gestão de Mídias Digitais e Inteligência de Negócios pela ESPM. Trabalha com Marketing Digital desde 2017.
Natália Plascak
Natália Plascak
Especialista em Conteúdo na Conta Simples, é formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em Jornalismo e tem um MBA em Gestão de Mídias Digitais e Inteligência de Negócios pela ESPM. Trabalha com Marketing Digital desde 2017.
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