Como escolher o ramo de atividade de uma empresa?

Uma das primeiras etapas que são necessárias para a abertura de um novo negócio ou empreendimento, é a escolha do seu principal ramo de atuação, que vai englobar diversas atividades e possibilidades de atuação, em busca de uma orientação de mercado por parte da empresa, diante do consumidor.

De acordo com o SEBRAE, as atividades podem ser agrupadas em três grandes grupos: industrial, comercial ou de prestação de serviço. Dentro de cada um desses gêneros, são várias as possibilidades, por isso, a escolha de um deles como o principal ramo de atuação de um negócio deve ser muito bem pensada, porque é o que determinará o futuro do seu empreendimento.

Essa escolha do principal ramo deve levar em conta diversos fatores, como por exemplo, o conhecimento do empreendedor com relação ao ramo escolhido, para quem você deseja vender, como é a concorrência nesse ramo e quais serão os custos envolvidos, entre outros.

Neste artigo, nós iremos explorar o que é cada um desses ramos, a importância da escolha consciente de um ramo de atuação para o negócio, bem como o que deve ser considerado nessa escolha e as consequências disso para o seu negócio.

Os Ramos de atividade empresarial

Qualquer empreendimento que visa a obtenção de lucro, precisa atender a demandas específicas da sociedade. Para que isso se torne possível, a definição de um ramo de atividade se encaixa bem no ditado popular que diz ser necessário “dividir para conquistar”. Essa escolha de um ramo, e suas demandas específicas é o que inicia o empreendedor na possibilidade de conquistar o mercado.

O ramo de atividade empresarial nada mais é do que a área de mercado onde uma empresa está inserida ou onde ela atua. É também essa escolha, aquilo que acaba definindo que espécie de produto ou serviço será o foco de uma empresa.

É por isso que, muitas vezes, a escolha do ramo de atividade vem antes mesmo de se pensar na criação de um negócio. É quando surge, no empreendedor, aquela ideia empreendedora, baseada em seu conhecimento prévio a respeito de alguma atividade, que lhe faz ter a ideia da abertura de um negócio.

Embora cada um dos principais ramos de atividade empresarial, possuam inúmeras subdivisões e possibilidades, eles estão divididos, segundo o próprio SEBRAE, em três grandes grupos, que possuem características particulares e que são compartilhadas pelas inúmeras atividades que compõem cada um desses grandes ramos.

Os 3 Ramos de Atividade Empresarial:

  • Ramo industrial;
  • Ramo comercial;
  • Ramo de prestação de serviços.

Vamos ver a seguir, quais são as características de cada um, desses que são os 3 principais ramos de atividade empresarial:

O Ramo Industrial

O ramo industrial abrange as atividades de empresas que normalmente transformam matéria-prima em produtos ou mercadorias e não possuem uma relação direta com o consumidor final. Ou seja, elas fabricam itens que serão vendidos por outras empresas para o consumidor final, ou ainda, podem fabricar, por exemplo, peças ou materiais que serão utilizados por outras empresas.

O ramo industrial é bem abrangente, já que engloba a produção de mercadorias de todos os tipos, utilizando ferramentas e maquinário especializado ou mesmo de forma manual. Alguns exemplos de empresas no ramo industrial são:

  • Fábricas de móveis;
  • Confecção de roupas;
  • Fábricas de componentes eletrônicos;
  • Companhias siderúrgicas;
  • Fábricas de alimentos e bebidas;
  • Entre outros.

O Ramo Comercial

No ramo comercial, as empresas não fabricam produtos, apenas os comercializa para o consumidor final, como é o caso do comércio varejista, ou para outras empresas, no caso do comércio atacadista. Ou seja, elas revendem produtos e mercadorias que são produzidas pelo setor industrial.

Sempre que compramos alguma coisa, em qualquer tipo de loja, estamos nos relacionando com o comércio em geral, ou seja, com uma empresa que está no ramo comercial, que podem ser, por exemplo:

  • Supermercados
  • Farmácias
  • Papelarias
  • Lojas de roupas
  • Lojas de eletrônicos
  • Entre outros

O Ramo da Prestação de serviços

O Ramo da Prestação de Serviços, diferente da Indústria e do Comércio, não fabrica nem comercializa nenhum tipo de produto, porém, presta algum tipo de serviço a seus clientes. Os serviços prestados por uma empresa nesse ramo, são de alguma utilidade à sua clientela, seja algo que o cliente não possa fazer por conta própria, algo que prefere deixar que outros façam por ele, ou até mesmo algum tipo de entretenimento.

Tudo pelo qual pagamos para que alguém faça por nós ou nos proporcione, se enquadra nesse ramo. As empresas prestadoras de serviço podem ser, por exemplo:

  • Transportes diversos;
  • Clínicas e médicos;
  • Serviços de contabilidade;
  • Escolas e cursos;
  • Assistência técnica;
  • Entre outros.

Definindo o ramo de atividade da sua empresa

Se a ideia de iniciar uma empresa, negócio ou empreendimento, surgiu a partir de uma atividade que você já desempenha ou vê a possibilidade de desempenhar, de um produto que já produz, já comercializa, ou vislumbra a possibilidade de produzir ou comercializar, a escolha do ramo de atividade de sua empresa não será uma tão árdua tarefa, ou uma decisão tão difícil de se tomar.

Mas para aqueles que simplesmente desejam começar um negócio próprio, empreender e se tornar um empresário, mas ainda não possuem uma ideia clara de onde realmente deverão investir para estabelecer esse negócio, é preciso ter muito cuidado e dedicação a essa fase de definição do ramo da sua empresa.

Veja alguns passos que você deve dar, em busca de definir o ramo de atividade ideal para a sua empresa:

1. Ter gosto pela área

É fundamental que você goste daquilo que vai fazer, do que o seu novo negócio se trata. Embora este não seja o único referencial para a escolha do ramo de atividade da sua empresa, o seu gosto pessoal é de vital importância, principalmente porque o tipo de negócio vai definir com o que você vai lidar ao longo dos anos.

Você pode pensar, por exemplo, que um mercado mais promissor ou mais lucrativo possa ser uma melhor ideia de negócio, mas nada adianta investir em um negócio sem ter uma certa paixão por ele. Empreendimentos que não são movidos por uma certa paixão pelo que fazem, costumam normalmente, fracassar. 

Empreender não envolve apenas investir uma quantia em algum tipo de negócio, pois parte do que se investe é o próprio esforço pessoal e o compromisso com o novo negócio. Visar apenas o lucro, sem levar em conta o grau de satisfação que lidar com esse negócio te trará, irá provavelmente gerar resultados e consequências desagradáveis.

Lembre-se que, disputando a mesma fatia do mercado, estarão outros players que podem ter um maior compromisso e serem movidos pela paixão por aquilo que fazem. E concorrer com eles não será nada fácil.

É necessário o bom senso para saber a medida entre o prazer e a profissão. E não se engane, pois todas as áreas podem ser rentáveis. Um negócio com um mercado menor pode também ter menos problemas no que se refere à concorrência. Pense nisso.

2. Conhecer o ramo

Estávamos falando do gosto pessoal, não é verdade? Mas e se você não tem nenhum conhecimento, teórico ou prático, a respeito daquela atividade de que mais gosta? É tão importante saber fazer alguma coisa, quanto gostar de fazê-la. 

Dependendo do tipo de negócio e da sua vontade de aprender sobre o seu ramo de atividade, você não precisa ser um expert no assunto, até porque irá contar com profissionais capacitados. Mas é necessário que você tenha, no mínimo, alguns conhecimentos básicos.

Ainda que o seu papel no seu empreendimento seja apenas o de gerir o desenvolvimento do negócio, será muito difícil gerenciar, sem saber nada a respeito de suas particularidades. Tanto na indústria, no comércio, quanto na prestação de serviços, os tipos de negócios relacionados terão, cada um deles, conhecimentos que sejam imprescindíveis de se possuir.

Até aqui você já pode perceber que, para criar um negócio de sucesso, é necessário ter uma boa medida entre aquilo que você gosta e aquilo que você sabe fazer. Vamos ver a seguir o que mais é necessário considerar.

3. Perceber o público-alvo

O que se chama de público-alvo é o tipo e o perfil de consumidores que possam estar interessados nos produtos ou serviços que você pretende criar, vender ou prestar, com o seu novo empreendimento.

É necessário estudar quem é esse consumidor em potencial, onde eles estão, quais são os seus hábitos de consumo, para que se torne mais claro se o que a sua empresa tem a oferecer, no local onde ela vai funcionar, é capaz de sustentar o funcionamento do negócio e é claro, gerar algum lucro.

Essa percepção é fundamental, já que o mesmo tipo de empresa, no mesmo ramo de atividade, pode funcionar muito bem em uma localidade, enquanto noutra pode ser um fracasso. O contexto é, na grande maioria das vezes, muito mais importante e significativo do que a atividade da empresa em si.

Em um exemplo exagerado, você pode ter uma noção dos resultados de um quiosque de água mineral, em uma praia movimentada e sem comércio, em comparação ao mesmo quiosque em uma praça rodeada de bebedouros públicos.

É necessário saber que existem pessoas que necessitam ou estejam interessadas no que a sua empresa faz, e que elas tenham acesso ao que o seu empreendimento tem para ofertar.

  • Que tipo de produto ou serviço você oferecerá?
  • Sua empresa estará em uma área residencial ou comercial?
  • Quem são as pessoas que estarão ao redor?
  • Essas pessoas querem ou precisam do que a sua empresa oferece?

Essas e outras perguntas devem ser feitas na hora de definir o seu público-alvo e o seu nicho de mercado. Se a área de atuação escolhida, de acordo com o seu conhecimento e afinidade, não vai funcionar bem no local onde você pretende se estabelecer, então só resta procurar o local ideal, ou considerar uma outra área.

4. Estudar a concorrência

Se o seu empreendimento não for absolutamente inovador e único, então você certamente terá concorrentes com os quais deverá se preocupar. Se você já escolheu a sua área e já sabe também qual é o seu público-alvo, precisará saber também quais são as outras opções, ou seja, os concorrentes, que estão à disposição para esses clientes em potencial.

A análise de concorrência não obedece a regras fixas, tudo depende do contexto. Você pode ter muitos concorrentes, mas prestar um melhor serviço, ter um melhor atendimento ou ofertar um melhor preço, entre outros possíveis diferenciais, que farão com que você consiga competir com a concorrência já estabelecida.

Porém, existem casos especiais. Por exemplo, se a sua área é o comércio e você vende um produto que é igual em todas as lojas, é necessário que você consiga prever o preço que você conseguirá vender tal produto. Não adianta simplesmente vender por menos, se esse valor não cobre as suas despesas operacionais.

Ainda que o seu preço seja mais alto, talvez você consiga algum outro tipo de vantagem competitiva, como uma melhor localização, uma forma de publicidade eficaz ou outras vantagens que possam levar o consumidor para a sua loja.

Já na prestação de serviços, é possível se destacar pela qualidade. Mas qual será a sua estratégia para convencer esse público-alvo de que o seu novo empreendimento vale a pena?

É por isso que chamamos essa etapa de “estudar a concorrência”. Não há respostas prontas, apenas muita observação, estudo e análise.

5. Analisar os custos

E por falar em análise, você deverá também analisar os custos. E isso vale tanto para o investimento inicial, quanto para os custos operacionais dos primeiros meses, ou até mesmo os primeiros anos no mercado.

Muitos empreendedores fracassam, mesmo com bons negócios, em bons locais, repletos de clientela. Isso porque pensaram apenas no investimento inicial e acabaram sem fôlego, ou capital de giro, para segurar os custos operacionais, antes que o empreendimento pudesse começar a lucrar. Nesses casos, normalmente as dívidas acabam forçando a falência.

Por isso, considere incluir também, no seu custo de investimento, a contratação de profissionais que possam fazer essas contas com acerto e precisão. Se possível, faça o mesmo com relação aos passos 3 e 4, contratando pessoas que possam avaliar para você o mercado. Um empreendedor de sucesso não faz tudo sozinho.

Esses passos irão definir não apenas a identidade do negócio, mas definirão também o tipo de atividade a que você estará vinculado nos próximos anos, o compromisso financeiro que esse negócio vai necessitar e até mesmo questões mais técnicas, como a quantidade de impostos que a sua nova empresa deverá pagar.

Por isso, não ignore esses passos, nem mesmo aja por impulso. Pense, pesquise, pergunte aos familiares, aos amigos e pessoas com conhecimento na área, contrate profissionais. Planeje o início do seu empreendimento pelo tempo que for necessário, já que esse planejamento é o que irá definir os seus rumos no futuro.

A atividade ideal, no local ideal, com público disponível e um investimento financeiro de retorno em razoável período de tempo, com o qual você possa arcar. Você deverá arcar com o investimento inicial, com as despesas, com o planejamento, com a organização, com a disciplina e com o compromisso.

Criar e manter um negócio não é uma tarefa fácil, mas quando é feito da forma correta, seguindo os passos necessários para que ele se torne viável, é também um desafio recompensador para quem segue esse caminho.